terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Da série: “Odin temos mais um para o jantar”


Essa é uma série de cinco posts (ou não) dos mitos nos campos de batalha. Em uma época de armas de fogo, Odin certamente abriria as portas do Valhalla a esses homens. O primeiro da lista é:

Audie Murphy

1942 – Na fila de alistamento apresentava-se um cara de 1,60 pesando um pouco mais de 50 quilos. Riram da cara dele. Ele foi para Força Aérea. Riram de novo da cara dele. Sobrou o que? O Exército. E o exército precisa de que? De mais um para segurar o fuzil. O aceitaram. Quando ele desmaiou no meio do treinamento, almas caridosas queriam transferi-lo para um lugar mais apropriado a sua condição física: a cozinha. Ele insistiu que queria lutar. Em sua missão na Itália suas skills de artilharia foram reconhecidas. Infelizmente contraiu malária nesse período. Que aliás o acompanhou durante toda a Guerra.
 

1944 Enviaram-no para Ramatuelle no sul da França. Lá a artilharia alemã passou fogo em seu melhor amigo. Resultado: um berserker. Murphy ficou doidão.Matou todos do ninho de artilharia. Não satisfeito, pegou as armas dos inimigos para matar todo e qualquer manolo no raio de 100 jardas (o que incluiu + 2 ninhos de artilharia e um grupo de snipers).  O tornaram comandante. Devastado pela perda do amigo Audie Leon Murphy dedicou sua biografia para PVT* Lattie Tipton e PVT Joe Sieja que morreram na sua primeira missão na praia de Anzio na Itália.
 

*private
 

   Quase um ano depois, sua companhia recebe aquela famosa missão de “Segura os caras ai enquanto o reforço não vem”.  Colmar Pocket foi um divisor de águas do homem comum para essas cenas de Rambo que a gente conhece. A meia noite do dia 25 de janeiro, sua Companhia atravessava a Floresta de Riedwihr, quando eles recebem chumbo nos cornos dos alemães. Audie que carregava aqueles radios do tamanho de um galão de gasolina nas costas recebe a mensagem: “Essa pica agora é do aspira”. Ele olhou pro lado, olhou pro outro e percebeu que era ele quem estava no comando agora. Legal. Finalmente comandar uma Companhia inteira! Eis que ele faz a não tão difícil contabilidade: 2 outros oficiais, 28 homens e 2 TDs (Tank Destroyers, apelidados pelos ingleses de Wolwerines). Pra aguentar esse tiroteio eles cavaram uma trincheira a aproximadamente 300 metros na borda da floresta. Pra piorar estava nevando. Era tanta neve que havia uma camada de quase 12 centímetros de espessura pra dificultar o trabalho. Beleza. Fichinha. Foda foi passar 1400 horas segurando o ataque dos alemães que tinham uma caralhada de soldados, de tanques, morteiros e a porra toda. Fora o fato do reforço NUNCA chegar.  Qualquer um em sã consciência mandaria os tanques atacarem, porque naquele frio era perigoso inutilizar as máquinas. Mas só o tanque não daria conta. Ele teve que mandar todos os 30 homens no suporte de artilharia. Se fuderam. Mas foi aquele se fuderam “Di com força”. Desesperado, Audie, o tampinha, magrelo (e com malária), correu para o que havia sobrado de um dos M-10 TDs. Subiu na traseira do tank, apossou-se de uma metranca .50 e só saiu de lá quando a munição acabou. Desnecessário dizer que era bala pra cacete.  Estando no alvo vindos de 3 direções, Murphy recebeu um ferimento na perna, mas infligiu severas baixas ao lado alemão antes de voltar aos seus companheiros que conseguiram retornar as trincheiras. Ele havia cessado o ataque alemão. Ou seja, WIPE THEM.  Ah! Talvez eu tenha esquecido de mencionar o TD em que Audie estava atirando estava em chamas e explodiu pouco depois que ele chegou na trincheira.
 

   Audie Murphy voltou para casa. Tinha mais medalha que atleta olímpico. Como muitos sobreviventes da Grande Guerra ele sofreu de stress pós traumatico e precisou de medicação. Admitindo que estava viciado nos remédios, ele olhou para um lado, olhou para o outro (como no campo de batalha) e resolveu que ia parar. Simples assim. Se trancou num quarto de hotel por uma semana e saiu como se nada tivesse acontecido. Viram alguém em algum filme brasileiro assim ultimamente? Eu vi.


   Um cara desses não passa despercebido. Por isso a revista Life publicou sua história na Grande Guerra. O que é claro, atraiu a atenção de Hollywood. Precisamente do ator James Cagney que passou a lhe dar aulas de interpretação. Após a publicação de sua biografia os trabalhos em vários filmes de Western não paravam de chegar. Muitas cenas do seu heroísmo foram cortadas a seu pedido, pois ele temia que as pessoas não acreditassem e achassem que ele queria se promover. Foi um famoso dono de Haras e um jogador obstinado. Ganhou e perdeu altas quantias, o que convenhamos, era um mal muito menor perto do que já havia passado.



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