segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O Frio Toque dos Amantes


Bem... o texto abaixo não é bem o que eu costumo postar... meloso de mais, eu admito. Além disso eu já havia postado-o no meu outro blog (atualmente parado). Só que como eu logo migrei para esse daqui poucas pessoas realmente o leram. E os que leram falaram bem dele. Então achei que valia a pena respota-lo por aqui. Espero que gostem.

A principio Jonas ficou preocupado com o local de encontro. A cidade de Cinco Dedos era famosa pelo perigo que suas docas representava aos tolos que resolviam transitar por ali durante a noite. Uma lamina poderia surgir de qualquer canto escuro pronta para esfolar qualquer um que aparentasse ter mais do que 4 miseras peças de cobre no bolso. E o jovem parecia ter bem mais do que isso.
Suas caras roupas de nobre iam de total contraste com a miséria do local. Uma prostituta, vestido seu uniforme de trabalho, dentro de uma igreja de Morrow, seria mais discreta que aquele maldito rapaz parado ali.
Porem o frio era tão cortante que ate mesmo os piores bandidos tinha preferido ficar dentro de suas casa do que enfrentar aquele clima. Afinal quem estaria na rua aquela hora para ser roubado?
Jonas começava a se arrepender de ter aceito se encontrar com Marina longe de uma boa lareira e de um copo de vinho quente. Esfregou as mãos uma na outra tentando aquece-las um pouco mais. Deixou uma baforada de ar quente sair da boca enquanto ensaiava o primeiro passo de seu retorno a taverna aonde estava hospedado, quando finalmente viu o primeiro sinal de vida na rua. Poderia ser a amante... ou um vagabundo que provavelmente iria tirar tudo o que possuía.
Jonas não arriscou. Se esgueirou para as sombras do beco mais próximo e só saiu quando a figura estava próxima o bastante para que ele a reconhecesse.
-Maldição Jonas, você me assustou. O que esta fazendo ai escondido nesse beco?
-Estava tão hipnotizando observando-a que temo ter esquecido os modos, minha senhora. Me perdoe.
O rapaz fez o gracejo sem conseguir realmente tirar os olhos da jovem a sua frente. É verdade que  ele sobrevivia do dinheiro arrancado de mulheres casadas como aquela. Mulheres que ele seduzia e manipulava com maestria. Mas com Marina era diferente. Ele com certeza aceitava o dinheiro dela como aceitava o das outras, mas havia algo de especial ali, ele podia sentir. Ele a amava de verdade. Podia duvidar disso quando estavam distantes, mas ali, parado naquele caís vazio não restavam duvidas. Ele a amava.
-Jonas, não podemos mais continuar com isso..
-Como assim não? Do que você esta falando?
-Estou falando serio dessa vez. Eu sei de tudo que passamos juntos mas... mas eu acho que não quero mais arriscar meu casamento Jonas. Acho que você não deve me procurar mais. Acho não, tenho certeza que você não deve me procurar mais.
Toda a pompa do conquistador desapareceu de imediato. Ele não conseguia acreditar no que estava acontecendo. Ninguém iria abandona-lo assim. Ninguém nunca havia o abandonado assim.
Sua boca ficou seca e sem palavras enquanto os olhos registravam cada fragmento de movimento que a amante fazia ao se virar para ir embora. Suas mãos tremiam, mas não era de frio. Tremiam de ódio. Um ódio tão grande que só poderia ter sido fruto do amor.
Ele não a deixaria ir embora assim. Ele não poderia deixa-la simplesmente ir embora. Fechou os olhos enquanto seus punhos estavam cerrados. Respirou fundo e pesadamente e no momento em que o ar abandonou seu corpo a raiva era forte de mais para ser contida. Pulou em cima dela.
Os olhos agora abertos encaravam ferozmente a mulher enquanto suas mãos apertavam com uma força descomunal aquele delicado pescoço. Ele não parou. Conseguiu ver perfeitamente o momento aonde a vida abandonava o corpo de Marina. Mas mesmo assim não a soltou de imediato.
-Por que? Por que teve que ser assim? Por que você teve que me abandonar?
Aos poucos a raiva se apaziguou e de joelhos agora Jonas estava inconsolável ao lado de sua paixão. Havia tirado a vida dela e um simples olhar para o belo corpo, que jazia no chão do caís foi o bastante para que tomasse a segunda estupida decisão da noite. Iria rumar para o reino dos mortos atras de sua amante.
Aproximou-se lentamente do ancoradouro. Respirou uma ultima vez o ar gelado da noite e deixou que o corpo caísse na agua. Ninguém sobreviveria aquela temperatura.
Dois amantes morreram no cais da cidade de Cinco Dedos aquela noite. E existem aqueles que afirmam que se você for corajoso o bastante para enfrentar o frio do inverno poderá ver através das brumas o belo corpo da jovem senhora no chão ou ouvir o pranto do jovem assassino no vento.
Assim contam os bardos dos Reinos de Ferro.

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