segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Da série: "Odin temos mais um para o jantar" (parte 2)



Jack Malcolm Thorpe Fleming Churchill

Bilbo Baggins deu ao seu livro o nome de “Lá e de Volta Outra Vez”. Com Churchill talvez o nome fosse “De Volta e Lá Outra Vez”.
Em 1940 alguns comandantes germânicos que supervisionavam a ofensiva contra a França, começaram a receber relatórios de que alguns de seus afortunados soldados morreram com um tiro bem no meio da cabeça. Coisas da guerra. Natural que eles tivessem um bom atirador do outro lado. O problema era enviar o relatório aos superiores na Alemanha dizendo que os tiros não eram de fuzil, mas sim de flechas. Deviam ter achado que se tratava de algum arqueiro inglês. Pior pra eles. 


O prelúdio


Em  16 de setembro de 1906 em Hong Kong, nascia John Malcolm Thorpe Fleming Churchill. Embora filho de pais ingleses, carregou ao longo da vida sua paixão por todas as coisas escocesas. O típico William Wallace com calças. Era um soldado que não conhecia o medo, ou se o conheceu, fez questão de nunca o demonstrar. Se formou na Academia Militar Real Sandhurst em 1926, e foi comissionado no Regimento de Manchester. Mas em 1932, toda aquela paz circulante na Europa tornou as coisas cinzas e irritantes demais para Jack. Ele deixou a brincadeira de soldadinhos de chumbo para se dedicar aos seu mais novo hobby escocês: a gaita de fole. Embora fosse esquisito pra caramba, seus vizinhos ingleses o tornaram uma figura bem popular na localidade.
Suas férias chegaram ao fim juntamente com a ofensiva alemã à Polonia. Prontamente, Jack foi re-inscrito e tranferido novamente para o Manchesters, só que com uma estranha exigência: levaria consigo a gaita, um arco, flechas e uma Claymore escocesa. Com um nome do tamanho do mundo, seus companheiros resolveram chamá-lo apenas por “Jack Churchill” ou mais comumente de “Mad Jack”. Com alguma razão. Foi um dos poucos que  voluntariou-se e que praticamente IMPLOROU para estar junto aos Comandos. Ele não sabia o que isso significava, mas se tinha ação, ele queria estar lá.

Já no treinamento com os Comandos, Jack ficou famoso entre os companheiros quando foi repreendido por seu superior. É porque enquanto todos dormiam, Jack inventou de tocar sua gaita de fole e cantar às três da manhã como um maldito escocês. Que ele era louco já era um consenso, mas que ele guiaria toda a Companhia para o final do treinamento, isso sim era uma novidade que tirava o sono da galera. O fim do treinamento foi marcado com um ataque a Nord Fiord, Noruega. Enquanto a sua Companhia avança para os alvos ele retirou sua gaita de fole e tocou “The March of the Cameron Men”. Great Sucess! Em relatório aos seus superiores apenas uma linha:
Bateria Maaloy e a ilha capturadas. Acidentes leves. Demolições em andamento. Churchill


O Renome


Em outro ataque Mad Jack e um companheiro se esgueiraram até uma dupla de sentinelas alemãs que faziam ronda. O maluco saltou com a espada na mão e gritou: “Haende Hoch” (algo que meu parco alemão traduziu como “Mãos pra cima”). Os alemães obedeceram e largaram as armas. Eu não estive lá, mas certamente posso imaginar os chifrinhos nascendo na testa do Mad Jack. Ele ordenou que seu companheiro retornasse ao acampamento com um dos alemães. Em seguida, retirou o seu cinto e amarrou no pescoço do outro restante. Foram dar um passeio pela guarnição. Jack fez-se entender com seu prisioneiro. Ao se aproximar de outros guardas, o alemão tratava de dizer as palavras com complacência e a calma necessárias para garantir sua vida por mais alguns instantes. Tão logo entendiam a situação, os outros guardas abaixavam as armas e seguiam como prisioneiros de volta ao acampamento de Jack. Resultado: 42 dois prisioneiros. Indagado sobre o feito ele disse: “Eu matenho que, contanto que você diga para um alemão, alto e claro o que fazer, se você for mais velho que ele, ele resmungará ‘jawohl’ (sim, senhor) e fará o que você disse com entusiasmo e eficácia, independente da situação.


Ele também  ficou famoso por aparecer de surpresa em campos alemães, montando uma motocicleta, usando nada além de um arco-e-flecha e sua espada, e estuprando o campo inteiro.

A Queda


Em 1944 na Iugoslávia ao apoiar os esforços dos Partisans de Tito na ilha de Vis no Mar Adriático, a tenacidade e a sorte o abandonaram. Eram 1500 Partisans, o 40º e o 43º Comandos. Desembarcaram sem problemas. Entretanto após algum tempo de marcha foram recebidos no melhor estilo alemão. Os Partisans deram no pé, alegando que um ataque no dia seguinte poderia melhorar as suas chances. Churchill tocou sua gaita e conduziu os Comandos para o ataque. Provaram o amargo gosto da retirada. A contragosto Churchill teve de recuar e aguardar o dia seguinte. Pela manhã, os Comandos lançaram um novo ataque. Os Partisans permaneceram na área de desembarque. Somente Churchill e outros cinco companheiros conseguiram chegar até o objetivo. Uma vez lá, defenderam o topo da colina até acabar a munição. “Eu estava angustiado” – disse – "ao descobrir que todos estavam armados com revólveres, exceto eu, que tinha uma carabina americana".  Então um tiro de morteiro explodiu perto deles, levantando terra e sangue. Três dos seus companheiros morreram, os outros dois estavam muito mal. O velho Mad Jack viu-se sozinho no tiroteio. Desolado ele retirou sua gaita de fole e tocou “Will Ye No Come Back Again?”. Os chucrutes descobriram sua posição e arremessaram granadas. Jack fora encontrado desacordado enquanto os alemães verificavam se estava realmente morto. O que não era o caso.


Depois de ser transportado para Berlim para ser interrogado, ele foi enviado ao campo de concentração de Sachsenhausen, onde era para ficar até o final da guerra. Ele poderia ter feito isso, mas uma noite, a energia acabou, e Jack foi preparado: ele tinha uma lata enferrujada e algumas cebolas. Era tudo que ele precisava. Na escuridão, ele apenas se afastou e fez a sua fuga. Caminhou aproximadamente 150 milhas (241,4Km) até ser encontrado por americanos e levado novamente para a Inglaterra.


Se a angústia dos dias de paz era um tormento para Jack; ser reconduzido para casa enquanto toda a ação estava ocorrendo era intolerável. Ele exigiu que o levassem novamente para o front. Mas ao chegar, infelizmente recebera desolado a notícia de que a Guerra estava acabando. Aquilo sim o devastou. Então Jack perguntou se poderia ser redistribuído, porque segundo ele “Os Nips ainda estão lá não estão?”. Que o levassem até os japoneses! Quem é que ia dizer não para um cara como Jack? Levavam ele para Burma onde a Guerra no Pacífico com os japoneses ainda era intensa. Então quando seu navio ainda contornava a Índia, as bombas explodiram em Hiroshima e Nagasaki determinando o fim da Guerra. Churchill emitiu seu descontentamento: “Se não fosse pelos malditos ianques (americanos), nós poderíamos manter a guerra por mais 10 anos!


Mad Jack continuou no exército até 1959, depois de ter se qualificado como paraquedista e ter servido no conflito da Palestina. Mesmo na reforma continou com sua excentricidade. Surpreendendo os condutores e passageiros de um trem, quando de supetão arremessou a mala pela janela. Antes de morrer em 1996, ele explicou que teria arremessado a mala no quintal de sua própria casa para não ter que carregá-la desde a estação.  Algo perfeitamente aceitável, vindo de alguém que disse coisas como: “as pessoas estão menos propensas a atirar em você, se você sorri para elas” ou “Na minha opinião, senhor, qualquer soldado que entra em ação sem a espada está inapropriadamente vestido.”.


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2 comentários on "Da série: "Odin temos mais um para o jantar" (parte 2)"

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Douglas Curinga on 4 de janeiro de 2010 às 23:31 disse...

Esse cara é FODA!

Beholder on 5 de janeiro de 2010 às 01:14 disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
:)) ;)) ;;) :D ;) :p :(( :) :( :X =(( :-o :-/ :-* :| 8-} :)] ~x( :-t b-( :-L x( =))

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